Artes visuais
Eu...
Lembro-me de numa conversa em 1998 ter
dito que não gostava de fotografia. Porque a fotografia é apenas uma mutilação
da realidade, a transposição para a percepção de um sentido daquilo que foi
vivido por cinco. Por isso tenho poucas recordações de férias, de momentos
festivos. Porque há coisas que devem ser guardadas na memória que, ainda que
mais inteira, se rarefaz com o tempo, sem a redução a uma imagem. Acho sempre
que é um desperdício do momento tentar fixá-lo numa fotografia.
Mas gosto de fotografia, de outra,
diferente, de maior desprendimento emocional. Umas vezes espontânea, outras mais trabalhada e construída, um momento de beleza,
especificamente construído para não ser vivido com outros sentidos que não a
visão.
É isto que tento fazer, com o que sei,
com o que vou aprendendo, com o pouco tempo que tenho disponível e que foge
sempre...
Curiosamente foi no mesmo ano de 1998
que comecei a fotografar. Desde então tenho vindo a melhorar o equipamento
fotográfico que possuo, centrando-me por vezes mais na qualidade e quantidade
de equipamento do que na realização fotográfica, sempre numa perspectiva de
profissionalizar a minha actividade fotográfica.
Foi em 2010 que a minha postura fotográfica
se alterou substancialmente de forma que espero que seja duradoura. Dois
factores contribuíram para esta mudança:
- A impossibilidade de ambicionar (por
incompatibilidades laborais) que a fotografia se tornasse uma actividade
profissional:
- Um workshop de fotografia em Paris (a
que não fui).
Se o primeiro me trouxe uma
desresponsabilização da fotografia, uma não preocupação de tentar tornar a
fotografia em algo rentável, o segundo, através do relato preciso de quem lá
esteve ajudou-me a direccionar e a perceber melhor por que caminhos
pretendo enveredar para fazer com a máquina fotográfica algo que me safisfaça realmente.
Esperemos para ver como será este
2011...

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